Pragas biológicas: como afetam o dia a dia?

pragas biológicas

São considerados pragas biológicas os organismos vivos como plantas, insetos, aves e pequenos animais que, por diversos motivos, têm um crescimento alto e desordenado, acarretando superpopulação e trazendo desequilíbrio ecológico para a região em que se encontram, seja este local seu habitat natural ou não.

Este crescimento descontrolado pode causar os mais variados danos, seja causando estragos ao meio ambiente e ao ecossistema em que se encontram, seja afetando a saúde das pessoas e dos animais que ali vivem, seja acarretando prejuízos à sociedade e à economia.

Nuvem de gafanhotos

Por exemplo, no ano de 2020, foi notícia em todo o mundo uma nuvem de gafanhotos que estava se movendo com rapidez pela América do Sul, em países como Paraguai e Argentina, ameaçando inclusive cruzar as fronteiras do Brasil. Embora os gafanhotos não tragam riscos à saúde das pessoas e de outros animais, são extremamente danosos a plantações e regiões de pastagens.

De acordo com o Serviço Nacional de Saúde e Qualidade Agroalimentar (Senasa), quando os gafanhotos se juntam em nuvem, uma área de 1km² pode conter em torno de 40 milhões de insetos, que ingerem, em apenas um único dia, o equivalente ao que comem 2 mil vacas. Ou seja, os gafanhotos em nuvem são um tipo de praga que traz grandes danos à economia.

Em relação à formação da nuvem, muitos fatores podem ter acarretado sua formação, porém, o mais provável é que devido ao clima muito quente e seco, mesmo no inverno, os insetos se reproduziram com mais rapidez, juntaram-se e migraram em busca de alimentos. Por isso é de extrema importância a preservação do meio ambiente, garantindo um equilíbrio climático e evitando a proliferação desordenada de pragas e vetores.

Quais são as pragas biológicas mais comuns?

As pragas biológicas podem ser tanto urbanas como agrícolas. As que mais causam infestações são insetos, aracnídeos, fungos, bactérias, aves e roedores. Além disso, também podem ser considerados pragas biológicas infecciosas os organismos capazes de causar endemias, epidemias e pandemias. A chamada “peste negra”, que dizimou boa parte da população europeia no século XIV, foi causada por uma bactéria presente em pulgas e ratos contaminados.

No meio rural, os organismos considerados pragas mais comuns são fungos, bactérias, insetos e plantas. O maior problema das pragas agrícolas é que muitas vezes elas são silenciosas e, quando são descobertas, já tomaram plantações e criações.

Entre as mais facilmente encontradas estão as ervas daninhas, as lagartas, os pulgões, as larvas de besouro, as formigas cortadeiras, as moscas brancas, os percevejos, os carrapatos, as brocas-do-café, o mofo branco, as cochonilhas, as moscas-das-frutas, os ácaros e a ferrugem da soja.

Já no meio urbano, as principais pragas biológicas são as baratas, os ratos, as formigas, os cupins, as moscas, os mosquitos, os pernilongos, os escorpiões, as aranhas, os ácaros, as pulgas, os morcegos, os pombos, os caramujos, os percevejos e os carrapatos.

Como as pragas biológicas podem surgir?

Existe mais de um fator responsável pelo surgimento de pragas biológicas. Um dos principais é a destruição do habitat natural onde esses organismos vivem, fazendo com que eles tenham que migrar para outros ambientes onde podem acabar se tornando pragas. Ações diretas do homem como desmatamento, queimadas e garimpos ilegais são exemplos de destruição do meio ambiente que contribuem para o surgimento das pragas.

A degradação de um habitat é capaz de diminuir muito ou até mesmo extinguir diversas populações responsáveis por realizar naturalmente o controle biológico daquele lugar. Por exemplo, ao destruir um ambiente em que vivem animais insetívoros, os insetos não possuem mais predadores naturais e acabam se multiplicando descontroladamente.

Outra ação direta do ser humano responsável pela proliferação de pragas em determinado local é a introdução de espécies exóticas. Elas acabam competindo por espaço e alimentação com as espécies endêmicas, muitas vezes ocasionando o desaparecimento dos animais nativos e, consequentemente, causando um enorme desequilíbrio ecológico.

No campo, um fator que favorece o aparecimento de pragas são os cultivos de monoculturas em grandes extensões de terra, além do plantio direto, da não observação de práticas de controle educacional e do plantio em estações desfavoráveis ou de culturas mais suscetíveis.

Já nas cidades, os principais fatores para o surgimento das pragas são o crescimento desordenado dos centros urbanos, a falta de saneamento básico adequado e as ações do homem, entre elas, o acúmulo de lixo, de entulhos e de água parada.

Tudo isso acaba por tornar os ambientes extremamente propícios para a reprodução e posterior proliferação desses vetores, que encontram abrigo e alimento em abundância.

Como afetam a nossa vida?

O crescimento desordenado de uma espécie e sua consequente superpopulação é capaz de afetar de diversas formas a nossa vida. Pragas biológicas rurais são capazes, por exemplo, de dizimar plantações e criações, trazendo prejuízos econômicos às pessoas que dependem disso para sua subsistência e acarretando escassez de alimentos.

As pragas urbanas, além de destruir bens materiais, como é o caso dos cupins e dos roedores, também são capazes de causar diversas doenças, como a leptospirose e a dengue. Além disso, alguns vetores, como os escorpiões, trazem sérios riscos à saúde, podendo, inclusive, causar a morte.

Por isso é essencial que seja realizado o controle integrado dessas pragas, tanto no campo como nas cidades. Existem diversos tipos de controles, como o químico, o físico e o biológico. É essencial ter um especialista no assunto para saber qual a melhor forma de combater, em cada caso concreto, a infestação, obtendo assim resultados mais satisfatórios.